25/03/12

E como são estilhaços
Do ser as coisas dispersas
Quebro a alma em pedaços
E em pessoas diversas
[Fernando Pessoa]

Me senti várias
Muitas traçadas sem fim
Mas o espelho deu defeito
E o reflexo mentiu pra mim

30/12/11

Diante de Cronos, esse velho cruel
Choro ao ver o passar dos dias
O fim das noites
A rapidez das horas
Que levam embora a juventude e a força
Trazendo as dores e a cólera
A certeza mórbida do fim

Não tenho estórias e lembranças talhadas em memórias
Não tenho palavras gravadas em árvores ou em mármores
Nem poesia sólida ou amores vividos
As flores que planejei não foram plantadas
As melodias que senti no peito não foram tocadas
As cartas não foram trocadas
As fotografias não foram tiradas
Nunca fiz as malas para ir embora
Não disse eu te amo
Nada de pai, absinto, mares ou Revolução
Nem  Itália, danças ciganas e latinas ou passos de Che

Apenas a paixão pelos sonhos
Escrava das ideias
Se o tempo mata e castiga
O sonho envolve prometendo vida

13/12/11

07/12/11

Não me peçam para ficar calada diante dessa realidade que não consigo nem ao menos nomear. A paixão pelos meus sonhos é sem fim. O meu amor pela vida é ainda maior. Então, não me peçam. Não!

05/09/11

ANATHEMA




Escrever sobre Anathema é um desafio para a minha mente que vive submetida a um amor mais que intenso pela banda, e os motivos para tanto amor são simples e decisivos.

Primeiramente o fato de conhecer a banda aos 15 anos por meio de um amigo que fez questão de me apresentar o EP Pentencost III (1995) e logo depois o álbum Eternity (1996), dois trabalhos incríveis que marcam simplesmente a transição da banda (lembrando que entre os dois existe o enigmático The Silent Enigma, de 1995) do Doom Metal para o Progressivo/Alternativo/Experiemtal/Atmosférico, como eles mesmos definem atualmente, consolidando em seu som a influência do genial Pink Floyd.

O Anathema surge em 1992 em Liverpool em meio à cena Doom Metal que se intensificou na Inglaterra entre a década de oitenta e noventa, história que têm início lá na década de setenta na mesma fértil Inglaterra (conheça um pouco sobre a história do doom metal aqui).  Como toda banda de doom, a banda se caracterizava por um som denso e arrastado, os vocais guturais e melódicos e as letras intimistas. Muitos questionaram as transformações ocorridas no estilo da banda ao longo dos anos. É só escutar os trabalhos da fase doom e os álbuns atuais e a sensação é de que não se trata da mesma banda (especialmente porque os dois primeiros álbuns contavam com Darren White nos vocais e a partir do álbum A Natural Disaster de 2003, a cantora Lee Douglas se tornou membro fixo da banda), daí a reprovação de alguns e a extrema aprovação de outros. 

O fato é que o som da banda é único, as letras continuam intimistas, falam sobre a existência, experiências e sentimentos, o som é mais que experimental e os vocais, agora mais leves, continuam, em alguns momentos, sendo alternados entre o vocal fiminino e masculino, às vezes entre a voz de Vincent Cavanagh e a de Danny Cav anagh.


Esse mês e mais precisamente hoje o Anathema lança Falling Deeper com a releitura das músicas mais lindas de sua fase doom, adaptadas ao novo estilo progressivo da banda. E eu que nem tinha digerido por completo o álbum We're here because we're here, lançado no ano passado, agora estou me emocionando com essa releitura surpreendente. Algumas músicas são adaptações de Pentecost III, primeira obra prima da banda que conheci e que motivou minha paixão, afinal não é qualquer banda que tem um Vincent Cavanagh nos vocais. Destaque para as faixas Kingdom, J’ai Fait Une Promesse e Sunset of Age.

Destaque para o álbum A Fine Day To Exit (2001) que amo e para o ex-baixista Duncan Patterson, que compôs as letras mais intensas da banda.

 E é por isso que Anathema é lindo, por suas fases, sons, vocais e letras incrivelmente variadas.

Agora vocês sabem de onde tiro frases como: um momento no tempo, enigma silencioso, um desastre natural, estamos aqui porque estamos aqui, esperanças esquecidas, dentre outras...

Falling Deeper

05/08/11

Clara luz, luz clara
Vejo a fome na alma de todos
E busco o porque das coisas brilhantes 
Homero me alucinou!

31/07/11




Como odeio a luz do sol que revela tudo, revela até o possivel
[Clarisse Lispector]



Queremos o apego, mas buscamos o abandono. Queremos as certezas, mas cultivamos as dúvidas.  Sonhamos com um jardim verde, mas insistimos nas aventuras. Polarizamos a vida e os dias. Acabo de ver o primeiro luzeiro: noturno, pequeno e distante. Isso não carrega sentido, apenas faz parte desse instante.


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